sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Projeto Arteterapia na Escola.



A vontade de realizar um trabalho arteterapêutico no ambiente escolar já existia e neste ano de 2010, estando mais em contato com a coordenação da escola onde meu filho estuda, elaborei o projeto voluntário e convidei minhas companheiras de Arteterapia para um grande desafio: atendermos duas turmas de 5º ANO.
Desde junho passamos a nos reunir semanalmente, e, em julho aconteceu o nosso primeiro atendimento. O trabalho terminou, com êxito, em outubro de 2010, deixando saudade. Em breve muitas novidades serão divulgadas...e boas!!!
Todos os encontros foram elaborados a partir das informações fornecidas pela coordenação e professores, passando por três etapas: autopercepção, eu e o meu grupo, e finalmente, o grupo.
O nosso grande parceiro neste projeto experimental foi o Colégio Integral Kids. Agradecemos à TODA A EQUIPE do kids e em especial às coordenadoras Suzy e Lígia. Nosso obrigada também para Patrícia, Ana Patrícia e Leila, pela paciência e cooperação.
Por fim, nosso agradecimento aos pais e alunos, porque sem eles...nosso trabalho não aconteceria.
Certamente, este trabalho abrirá portas para os arteterapeutas, pela seriedade e amorosidade com que foi realizado.
Como coordenadora deste projeto, me sinto muito feliz e agradeço de coração minhas amigas e companheiras de trabalho: Célia Bergamasque, Cláudia Antunes, Cristiane Padin, Jeane Ribeiro e Tânia Nunes. Não foi fácil...mas conseguimos...e conseguimos com a certeza de termos realizado a nossa proposta. Sem vocês...não teria sido possível!!!
Muita paz e muita gratidão
Ps. Assim que possível alguns registros sobre este último projeto serão publicados no blog.
Ana Passaro

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Homenagem e brincadeiras


"A luz brilha onde existe amor."

"Onde existe amor, existe liberdade e alegria."
Sim, amigos, sorrir faz bem para a saúde...brincar faz parte da vida...e aqui não pode faltar a prova disto.
Companheiras de Arteterapia e amigas, Cláudia Antunes e Lúcia Mendonça, merecem meu carinho e admiração.
Com Lúcia, são sempre horas e mais horas de café, filosofia, psicologia...coisas da vida...e mais café...rsrsrsrs
Com Cláudia, são confissões, muitas risadas, um chorinho básico de vez em quando...e uma explosão de boas idéias...
E nessa caminhada, vamos lutando, cada uma com suas armas, com sua beleza, seus mistérios, sua essência...
Se alguém perguntar...vocês tem algum segredo que mantenha essa luz sempre brilhando? Temos, claro, e está exatamente nesta foto...a capacidade de brincar, de sorrir, de fazer o outro sorrir, de descontrair...É o exercício do SER FELIZ!!

Beijo especial para estas duas "amigas de infância"

Ana Passaro

terça-feira, 12 de outubro de 2010

IX CONGRESSO BRASILEIRO DE ARTETERAPIA




"Com a doce, Ana Luiza Baptista, da Incorporar-te / Rio de Janeiro."


"Doris Titze, Alemanha."





"Joana Gusmão, Pós-graduanda em Arteterapia."






"Patrícia Pinna Bernardo autografando seu novo livro A Prática da Arteterapia - Volume V - A Alquimia nos contos e mitos e a Arteterapia: criatividade, transformação e individuação."


"Celeste Carneiro autografando seu novo livro Arte Neurociência e Transcendência."

"Com Lucia Mendonça e Celeste Carneiro."


"Com Carla Maciel (Coord. da Pós-graduação em Arteterapia Junguiana do IJBA) e Lucia Mendonça, artt. baiana."

Aconteceu na UNIP, em São Paulo,entre os dias 8 e 11 de outubro de 2010, o IX Congresso Brasileiro de Arteterapia. Tudo foi perfeito...desde a rica e vasta programação disponível até o coffe break...maravilhoso. A AATESP está de parabéns pela brilhante organização. Parabéns também para a Aluá Eventos e sua equipe.
Com mais de 500 participantes o evento foi um sucesso e para nossa alegria tivemos a notícia de que possivelmente em 2012 a Arteterapia terá seu reconhecimento como profissão.
Particularmente, me senti muito feliz e honrada, por participar do evento e encontrar minhas "mestras" e autoras de tantos livros sobre Arteterapia que tive o prazer de ler.
Destaque carinhoso para minhas queridas professoras, Celeste Carneiro e Patrícia Pinna Bernardo, que lançaram seus livros durante o evento, junto com outros autores. Adorei também conhecer a equipe da WAK Editora, grande colaboradora na luta pelo reconhecimento da Arteterapia, pois tem uma lista enorme de publicações na área.
Enfim...algumas fotos, a saudade e meu coração cheio de alegria.
Muita paz,

Ana Passaro

PS do coração: Duas fotos muito importantes não estão aqui, mas estão guardadas no meu coração. A que não tiramos, Patrícia, mas que tenho absoluta certeza que ainda teremos várias oportunidades. E a foto da minha amiga especial...brilhante, iluminada, animada e companheira de risos, lágrimas e projetos, Cláudia Antunes. BEIJO ESPECIAL PARA VOCÊS DUAS.

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Artigo sobre Arteterapia e educação.

Mais uma brilhante contribuição sobre a importância da Arteterapia dentro do ambiente escolar. Recomendo a leitura deste texto simples, claro e inteligente. Parabenizo a minha amiga Celeste.
Muita paz,
Ana


Arteterapia e educação

Celeste Carneiro

Através da nossa experiência ao longo destas três últimas décadas trabalhando com Artes e Educação, pudemos constatar o quanto as atividades artísticas facilitam a aprendizagem de qualquer disciplina, sendo grandes parceiras na produção do conhecimento e do desenvolvimento do potencial humano.
Atividades como dramatização, música, artes plásticas, modelagem e toda uma gama de expressões artísticas, incluindo desenhos feitos no computador, enriquecem as aulas em qualquer nível de escolaridade.
Mais recentemente, em nosso país, o atendimento com Arteterapia tem servido para tratar os mais diversos problemas, tanto de aprendizagem como também para as questões mais difíceis e traumáticas, proporcionando uma visão mais rápida e profunda daquilo que infelicita as pessoas, uma vez que o seu instrumento é o símbolo e não somente as palavras.
A Arteterapia vem sendo usada em clínicas, hospitais, escolas, empresas, como mais um recurso de crescimento interior e bem-estar das pessoas.
A importância maior está naquilo que a arte revela do inconsciente e o seu efeito no consciente, melhorando o seu viver e o seu sentir.
O aprofundamento no estudo das características do ser humano, assim como das suas dificuldades, facilitará a atuação de quem lida com gente.
Numa sala de aula, por exemplo, estão reunidos alunos de diferentes formas de ser. Um professor hábil utilizará de recursos que atinjam a cada um de forma apropriada. O psicoterapeuta Carl Gustav Jung identificou quatro tipos diferentes de pessoas, ou quatro funções psíquicas, acrescidos da forma como elas se colocam no mundo: as que se identificam com o exterior são as extrovertidas; as que trazem suas impressões e valorizam mais o seu mundo interior são as introvertidas. As funções psíquicas são: pensamento - aquelas pessoas que ficam à vontade quando o assunto exige raciocínio lógico; sentimento - fazem julgamento a partir do que sentem; sensação - preocupam-se mais com o aqui e agora, o concreto, o material; e intuição - as pessoas que valorizam os seus sonhos, intuição, a imaginação e dão asas à sua criatividade.
Na aula, se forem utilizados recursos que atendam a todos esses tipos de personalidade, o rendimento será bem melhor. Poderemos usar, por exemplo, os recursos do Mapa Mental, a Imaginação Criativa, Associação, Exercícios de Relaxamento, trabalhos corporais, mandala, etc.
Com algumas dessas atividades as pessoas se aquietam, desenvolvem a atenção e a concentração, estimulam o raciocínio lógico, a habilidade com a Geometria, desenvolvem a organização interna, o que reflete no seu exterior.
Além do trabalho de treinamento de professores e atividades em sala de aula, a Arteterapia tem um lugar de muita eficácia no atendimento individual aos alunos que apresentam alguma dificuldade, seja ela de aprendizagem ou de ordem emocional e familiar.


Autora do livro Arte, Neurociência e Transcendência publicado pela WAK Editora.
www.artezen.org e http://criatividadeecerebro.blogspot.com/. Os livros estão em livrarias por todo o país e também podem ser adquiridos através dos tels (21) 3208-6095 / (21) 3208-6113 ou pelo e-mail wakeditora@uol.com.br

terça-feira, 8 de junho de 2010

Workshop - Sinergias Aromáticas


Pessoas queridas, mais um momento imperdível!!!
Mais que recomendado...
Beijo e muita paz
Ana Passaro

terça-feira, 18 de maio de 2010

E ainda pesquisando sobre Arteterapia nas escolas.

Compartilhar as informações...
Pensando assim, minha querida amiga e companheira de projetos arteterapêuticos, Célia Bergamasque, me enviou mais um texto sobre a Arteterapia.
Boa leitura e muita paz
Ana Passaro



Tema: Arte-Terapia na Escola
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Ada Cristina Garcia Toscanini
Maria Angélica Rente Basso
Data: Abril de 2005
Instituição: Mercado Arte
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Entende-se por terapia o tratamento cuja finalidade é aliviar um estado deteriorado, para que o funcionamento normal do indivíduo se restabeleça. Neste sentido, a arte-terapia é uma abordagem terapêutica que utiliza conhecimentos oriundos dos campos da Psicologia, da Filosofia e da arte, com o objetivo de auxiliar o ser humano a lidar com os desafios apresentados pela vida. Na arte-terapia trabalhamos com os chamados mediadores de expressão (artes plásticas, teatro, dança, música, jogos cooperativos, contos de fada, etc.), que facilitam o trabalho terapêutico ao permitir que o indivíduo expresse o seu Eu interior de forma não-verbal. Assim sendo, por meio das diferentes expressões artísticas o indivíduo é incentivado a participar de um processo de criação e leitura da sua obra, tocando impreterivelmente pontos significativos e/ou conflitivos da sua vida, com a intenção de reorganizar e equilibrar os mesmos.
Na arte-terapia são utilizadas técnicas artísticas variadas para provocar a comunicação verbal, que normalmente é camuflada pelo raciocínio. A troca de idéias e conceitos estimula o diálogo, que tem como principal objetivo a transformação pessoal. Ela possibilita a comunicação entre as pessoas e o encontro consigo mesmo. Sabendo que, assim como nas entrelinhas de um texto ou de um discurso oral, muitas coisas podem ser descobertas, isso também acontece com a pintura, a escultura, a expressão corporal, a música e o teatro, ao utilizar técnicas artísticas para descobrir e explorar as qualidades únicas e interiores de cada um, ampliando seu universo de percepção.
De tempos em tempos cresce em nós a necessidade de buscar e alcançar o nosso próprio centro. A capacidade humana de perceber, figurar e re-configurar suas relações consigo mesmo, com os outros e com o mundo, se manifesta tanto na arte como nos processos terapêuticos. A arte é a facilitadora de tais processos, pois contém em si a própria natureza de uma realidade alternativa na qual, eximidos das conseqüências que a realidade do cotidiano nos impõe, podemos relaxar nossas defesas e nos permitir contatar, sentir, elaborar e expressar, o que de outra forma seria perigoso e ameaçador.
Isso diferencia a arte da arte-terapia, pois ao fazer isto na terapia, o indivíduo tem possibilidade de redimensionar esses conteúdos, na presença de um outro que escuta e ajuda a elaborar. A liberdade nos trabalhos chega a resultados profundos, atingindo o âmago do participante de forma mais rápida, possibilitando que sua problemática surja naturalmente num processo de autodescobrimento.
Ao acolher o indivíduo e disponibilizar um ambiente em que ele possa criar arte e falar sobre o seu processo de criação, a arte-terapia possibilita:
Aumentar a autoconsciência e auto-estima.
Lidar com sintomas de doenças, stress e experiências traumáticas.
Desenvolver habilidades cognitivas e sociais.
Estimular a imaginação e a criatividade.
Expressar sentimentos difíceis de verbalizar.
Desenvolver hábitos saudáveis.
Identificar sentimentos e bloqueios na expressão emocional/afetiva e no crescimento.
Abrir canais de comunicação, tornando a expressão verbal mais acessível.
O público alvo da arte-terapia é muito diversificado. Todas as pessoas podem se beneficiar dela, independente de idade, sexo, crença ou nível social. Podemos aplica-la em diversos ambientes, como, por exemplo, em empresas, para os colaboradores em geral; em escolas, para alunos, profissionais da educação e pais; em instituições, para funcionários ou beneficiários. Ela pode também ser aplicada em consultórios e ateliês terapêuticos, de forma individual ou em grupos formados por pessoas interessadas no equilíbrio, na qualidade de vida ou quando sentem suas forças ameaçadas por causa do stress, de problemas triviais que às vezes levam à depressão, ao desânimo, à falta de confiança, à baixa auto-estima. indicada para quem sente necessidade de aumentar o conhecimento interno de si, adquirindo assim uma maior estabilidade emocional, e é utilizada como terapia de apoio em tratamentos psicológicos e psiquiátricos.
Arte-terapia nas escolas
A escola é um espaço fundamental na construção da identidade do indivíduo, pois atua de forma importante na formação de valores e princípios que irão nortear a vida de seus alunos. Contudo seu trabalho só será realizado de forma plena se essa atuação ocorrer em um ambiente que propicie a boa interação entre profissionais de educação, alunos e responsáveis. Para que isso ocorra, deve haver uma preocupação em relação à qualidade de vida de todas as pessoas envolvidas no processo de ensino-aprendizagem. , portanto, extremamente necessário que se realizem atividades que possibilitem a integração entre os objetivos da escola, as necessidades dos alunos, a atuação dos educadores e expectativas dos pais, sem se esquecer do fundamental, que é a transformação de seus alunos e filhos em indivíduos conscientes, críticos e atuantes, que possam colaborar na conquista de uma melhor qualidade de vida para todos.
Entre outros objetivos a arte-terapia irá atuar no trabalho com os alunos:
Estimulando a criatividade e a imaginação.
Desenvolvendo o pensamento crítico.
Explorando novas formas de expressão.
Possibilitando o auto conhecimento.
Desenvolvendo o interesse e a concentração, melhorando o desempenho escolar.
Auxiliando no tratamento de distúrbios de aprendizagem.
Lidando com preconceitos e estimulando a cooperação e o companheirismo entre alunos.
No trabalho com professores, coordenadores e colaboradores em geral, serão abordados assuntos como:
Como estimular o aluno a utilizar outras formas de expressão.
A importância da comunicação.
Como lidar com o stress no ambiente escolar.
Autoconhecimento.
Estímulo a trabalhos multiciplinares.
Como trabalhar em grupo.
Ao trabalhar com os pais, a arte-terapia oferece a oportunidade de se discutir:
A importância da participação dos pais ou responsáveis nos processos escolares.O papel da família no equilíbrio da criança.
Como lidar com o stress na vida cotidiana.
Como auxiliar seu filho a lidar com os desafios da vida.
O processo "arte terapêutico" ocorrerá na forma de atividades voltadas para os públicos específicos, depois de uma avaliação das necessidades e expectativas da escola. Algumas das atividades sugeridas são:
Workshops com educadores, de curta duração ou em final-de-semana.
Atelier terapêutico para alunos com dificuldades de aprendizagem e relacionamento.
Oficinas com alunos, em horário extracurricular.
Encontros com os pais ou responsáveis, na forma de palestras ou oficinas.
"Acampamento", com duração de um final de semana, com participação de alunos, educadores e responsáveis.


Texto publicado na revista ABC Educatio em Abril de 2005.

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Arteterapia nas escolas.

Pesquisando sobre Arteterapia nas escolas, encontrei esta reportagem escrita por Sara R. Oliveira. Divido com vocês estas informações tão importantes para todos os arteterapeutas.

Muita paz e boa leitura!
Ana Passaro




As crianças e os seus segredos
Por Sara R. Oliveira| 2008-03-05
Trabalhar com emoções e sentimentos da arte-terapia ainda é pouco comum nas escolas. Técnicos realçam potencialidades do método para identificar problemas.
O lápis e o papel branco. A arte-terapeuta Mónica Mariano começa com o material mais familiar para se dar a conhecer ao grupo de seis crianças do 2.º e 3.º anos de escolaridade do 1.º ciclo do Ensino Básico. Os mais pequenos desenham e são estimulados a falar do que lhes vai na alma. Do papel para o barro, do barro para pinturas em papel cenário. Constroem-se casas em cartão, usam-se aguarelas para controlar as tintas mais líquidas. Há berlindes colocados na folha no momento do desenho para que se lide com a frustração de não se conseguir pintar o que se quer. Neste momento, a arte-terapeuta trabalha com marionetas numa das EB1 de Loulé, no Algarve. Mónica Mariano está a realizar o estágio do curso de arte-terapia. Pediu à escola de Loulé que indicasse quais os alunos que tinham problemas ao nível da aprendizagem e do comportamento. Entrevistou as crianças e os pais e seleccionou o grupo com o qual trabalha algumas horas por semana.

É preciso ajustar o método, escolher a arte mais adequada ao grupo. Mónica Mariano adianta que o que se passa dentro das quatro paredes da sala é guardado convenientemente. A arte-terapeuta não entra em grandes pormenores com os pais ou encarregados de educação. Aos professores vai perguntando se há ou não progressos. "Não entro em muitos pormenores. A criança está, de alguma forma, a entregar alguns segredos", explica. "Não vou muito ao detalhe porque a criança precisa dessa confiança", acrescenta. Trabalham-se emoções escondidas, sentimentos guardados que se exteriorizam através dos materiais que são colocados nas mãos. "As crianças podem pintar de outra forma, fazer outra coisa, sem ter de falar das emoções." No fundo, salienta, "trabalha-se mais a criança na sua espontaneidade". Para Mónica Mariano, "a arte-terapia funciona muito bem nas escolas, até em termos de adolescentes porque é um momento que têm para se exprimir, para falar dos seus problemas de uma forma mais livre, não estando restringidos às regras da escola". "É uma forma fantástica de falar das emoções e dos sentimentos", conclui.

Cristina Cruz é arte-psicoterapeuta há seis anos. Exerce psicologia e arte-terapia na EB 2,3 dos Louros na Madeira. Trabalha com alunos dos 10 aos 17 anos, do ensino regular e que frequentam cursos de Educação Formação. Uma sessão de arte-terapia tem três fases. "A primeira de acolhimento das crianças ou dos adolescentes (como foi a semana, acontecimentos especiais de algum aluno); a fase de desenvolvimento onde cada participante expõe as suas angústias de forma expressiva (pintura, escrita criativa, tabuleiro areia, dramatização, colagens), onde depois vamos explorar os sentimentos e emoções de cada um; a fase do encerramento, na qual tentamos conter e sustentar tudo o que se passou na sessão para todos se sentirem acolhidos."

Cristina Cruz considera que a arte-terapia pode ser desenvolvida em qualquer faixa etária. E há frutos que vão sendo colhidos. "O desenvolvimento da criatividade nas crianças e adolescentes proporciona-lhes uma integração diferente da sua forma de percepcionar o meio que os rodeia. De tal forma, que os mediadores da arte-terapia criam um leque de abertura para o próprio self", realça. Na sua perspectiva, há escolas que resistem a abrir a porta a essas experiências. "Penso que nem todas as escolas estão receptivas para esta intervenção. Na escola em que trabalho há uma grande receptividade para a mudança, logo tudo o que surge de novo, e que tenha resultados positivos, é bastante aceite", refere.

Irene Monteiro é psicóloga e está a terminar a formação de arte-terapia. Neste momento, trabalha com um grupo de vítimas de violência doméstica num projecto social. A técnica reconhece que a prática é relativamente nova e que, regra geral, ainda não faz parte de um projecto educativo alternativo. "A arte-terapia pode ser muito útil em contexto escolar porque pode trabalhar com uma população de crianças de risco, em risco de abandono escolar, com dificuldades de aprendizagem, com necessidades educativas especiais." "A intervenção da arte-terapia tem um carácter de tratamento quando há uma problemática instalada. A componente de integração é muito útil", afirma.

Irene Monteiro realça o que a metodologia em que a terapia dá as mãos à arte "trabalha muito de afectos, trabalha questões do foro emocional". "Nas necessidades educativas especiais, a intervenção é muito centrada nos défices cognitivos e a parte emocional, relacional, fica de fora", sublinha. "Na arte-terapia cabem muitas actividades, o que a diferencia é depois o que é feito sobre essas actividades. O arte-terapeuta não é alguém que diz à criança para fazer assim ou de forma diferente, que lhe diz que está bem ou que está mal", acrescenta.

O psicólogo Hugo Cruz usa a arte para trabalhar com alguns alunos recorrendo ao teatro-fórum. A partir de uma peça de teatro, os alunos podem trocar de papéis para mudarem o rumo da história, para tentar resolver problemas identificados na representação. Usa a arte e não a terapia numa lógica, explica, "mais preventiva e educativa e não tanto remediativa". A violência doméstica é o tema que tem percorrido vários estabelecimentos de ensino do concelho de Santa Maria da Feira, onde Hugo Cruz coordena o projecto municipal Direitos & Desafios. O psicólogo afirma que a arte-terapia faz todo o sentido nas escolas. "Pode ser um excelente instrumento para exteriorizar emoções relacionadas com as vivências na escola." "O facto de se ter uma má nota tem uma carga emocional e uma implicação muito fortes", alerta.

A arte-terapia ainda é pouco utilizada nas escolas portuguesas. Esta relação particular entre o sujeito, o objecto de arte e o terapeuta não consta nos planos curriculares. A metodologia é bastante abrangente, uma vez que recorre a diversas componentes artísticas como pintura, desenho, jogos, marionetas, música, expressão corporal, poesia, escrita livre e criativa, colagens, modelagens. Tudo o que estiver ao alcance para abordar emoções e sentimentos. O objecto de arte serve sobretudo para mediar as expressões.

Nas contas feitas pela Sociedade Portuguesa de Arte-Terapia (SPAT) há, neste momento, oito estabelecimentos de ensino a recorrerem a esta prática. "Temos vários membros a actuar em contexto escolar. No Porto, na Grande Lisboa, no Algarve, na Madeira, com grupos diversos em termos de idade, classe social, problemática, etc. A recepção desse tipo de intervenção costuma ser muito boa. Não é mais solicitada por desconhecimento por parte dos profissionais de educação", adianta Daniela Martins, da SPAT. A responsável defende que a arte-terapia deve ser usada em contexto escolar, abrangendo todas as faixas etárias. "As situações podem ser diversas, dependendo do objectivo do trabalho: apoio à aprendizagem, comportamento, desenvolvimento criativo e pessoal, apoio à educação especial, apoio ao desenvolvimento motor, problemáticas específicas do foro psiquiátrico, etc."

No caso concreto das necessidades educativas especiais, Daniela Martins realça que o método pode trazer vantagens ao nível do "apoio ao desenvolvimento cognitivo/motor, apoio à aprendizagem, criação de um espaço de confiança para liberação da dor, facilitar a espontaneidade, trabalhar questões relativas à eventual exclusão social, estimulação sensorial". "A arte-terapia costuma ser muito bem recebida nas escolas, com a utilização das mais variadas técnicas: expressão plástica, musical, dramática, corporal", remata.

O endereço do site:

http://www.educare.pt/educare/Actualidade.Noticia.aspx?contentid=47B34A8D1F5235B4E04400144F16FAAE&opsel=1&channelid=0