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quinta-feira, 25 de junho de 2009

Arteterapia

A arte é presença constante na história da humanidade. Forma de expressão inata ao ser humano, pois antes de ser entendida conceitualmente já era utilizada e admirada. Nas paredes de pedras eram expressos os desejos, os medos e as alegrias. Fosse através de sons, de pinturas ou de gestos corporais, os homens primitivos queriam compartilhar e demonstrar, para si próprios e para os outros, o que sentiam e quais eram as suas necessidades. “Aparentemente, para os homens do Paleolítico não havia uma distinção muito nítida entre imagem e realidade; ao retratarem um animal, pretendiam fazer com que ele fosse também trazido ao seu alcance, e ao “matarem” a imagem julgavam ter matado o espírito vital do animal.” ( JANSON, 1996, p 16)

O homem evoluiu e foi melhorando sua forma de viver. Descobertas científicas, crescimento em todas as áreas de conhecimento, as máquinas que facilitaram seu dia a dia, mas apesar de todas as mudanças lá estava a expressão artística, utilizada não mais com a mesma fluidez e simplicidade, porém com a mesma finalidade de inserção, de demonstrar o mundo interior e dividir com outras pessoas uma forma particular de interpretar os acontecimentos da vida. A diferença agora é que este mundo interior tornara-se muito rico, repleto de cores, sons e novas experiências e também com muito mais angústias e conflitos. Um mundo interior mais complexo, mais elaborado, assim como o mundo que o homem fez evoluir.

Cada vez mais, o homem transforma seu ambiente externo e o interno precisa então acomodar as novas informações, lidar com os sucessos e fracassos da sua condição de ser ativo neste emaranhado que é o mundo globalizado, informatizado e que passou de entidade conduzida a condutor veloz. “Como se fôssemos robôs (...). É exatamente essa a sensação de quem vive uma vida onde não há lugar para a experiência criativa, a experiência quase mágica de abrir portas para um contato mais íntimo consigo mesmo. Normalmente, vivemos em um circuito de ocupações e pré-ocupações, que não nos permite esse olhar para dentro e, assim, separados de nós mesmos, vamos adoecendo, emocionalmente, fisicamente.” ( COUTINHO, 2005, p.51) O mundo pareceu ter adquirido vontade própria e o homem prostrou-se diante da nova realidade: acompanhar ou entregar-se.

É neste contexto que surge com muita força a Arteterapia proporcionando ao indivíduo o reconhecimento, a interpretação e a análise do seu mundo interior como forma de adaptação ao meio em que vive. “A Arteterapia alcança sua meta como função terapêutica por permitir essa passagem de um conteúdo inconsciente, não assimilado, transmutado ou transformado em outro conscientizado.” (URRUTIGARAY, 2003, p.25). E foi a própria história da humanidade que conduziu a este caminho. Música, danças, gestos, teatro, pinturas, esculturas, toda e qualquer forma de arte pode ser meio de comunicação. Mas a Arteterapia nos leva para dentro das cavernas, pois não existem conceitos artísticos ou preocupações com técnicas aprimoradas ou estilos. O que se busca é apenas a expressão pura dos sentimentos. Voltamos a ser como nossos ancestrais primitivos que sem preocupações estéticas apenas pintavam a vida, as alegrias, os desejos, os medos.
Ana Passaro